Eu não quero culpar isso ou aquilo, porque a verdade é que a vida é cheia de diversas questões que não controlamos, que simplesmente acontecem, inclusive no que diz respeito à forma como nossos pais nos criaram, o tipo de vida que levamos, aspectos relacionados à religiões, rotina e até mesmo a cidade em que crescemos, tudo isso acaba impactando diretamente em quem somos na vida adulta.
Por muito tempo acreditei que o mundo girava ao meu redor. Isso é normal, quando somos crianças fazem a gente acreditar nisso e só depois de crescer e perceber a sociedade é que vamos entendendo que somos apenas mais um. Quando viajamos, então, e percebemos que até mesmo nossa cultura é só mais uma, a noção de pequenez é ainda maior e tudo isso ensina muito, nos torna melhores.
Talvez, sem querer, tenham criado você para crescer e ser feliz com um homem: um namorado, um marido. Um príncipe.
Pode ser que sem perceber tenham lhe feito acreditar que sua vida estaria plena e resolvida apenas quando encontrasse seu par, como se todo o resto não tivesse nenhum valor. Não bastaria estar bem no trabalho ou ter atividades legais no dia a dia, a vida só seria perfeita no dia em que a metade da laranja chegasse, não foi isso que aconteceu?
Pensar sobre isso pode exigir muita reflexão. Pode ser preciso cavucar lá no fundo, bem lá no fundo. Porque ao falar sobre isso você até vai dizer coisas como “você está errada, minha mãe nunca me disse isso”. Mas pode acreditar, na maioria dos casos isso não foi dito com todas as letras, mas esteve presente em diversas pequenas ações e estímulos do dia a dia durante muitos anos. Os próprios filmes, na maioria das vezes, dão um jeito de mesmo que seja preciso uma super reviravolta, no final da história a garota ficar com o cara.
Crescemos acreditando que não era possível ser feliz sozinha, que morar só era apenas um estado de transição enquanto o tal homem não aparecia, que tudo se tratava de um processo, como se já não fosse vida.
Nos apegamos à diversas coisas e quando abrimos os olhos temos dificuldades em deixá-las. Ou, vamos logo transferindo nossas carências e necessidade de sentir-se protegida ao primeiro homem bacananinha que aparece e é exatamente aí que tudo começa a dar errado, porque acabamos levando para um relacionamento tudo aquilo que veio mal resolvido da infância. Todas as nossas expectativas e anseios e acabamos por viver apenas para isso, sem curtir de verdade a vida, sempre com medo de perder o outro. E tantas vezes, nos sujeitando ao que nos fere, com medo da solidão.
Em muitos lares a figura masculina, do pai, não existiu, por diversos motivos. Talvez ele até tenha estado lá, presente, mas sem um determinado nível de envolvimento. E esse cenário pode contribuir para criar uma falta de figura masculina, que lá na frente também poderá desencadear a percepção de que é preciso, desesperadamente, ter logo um homem ao sue lado para tudo ficar bem.
Se você tem filhas, mostre que elas podem crescer e serem felizes por si só. Talvez até pareça antiquado falar disso em pleno século 21, mas acredite, isso acontece muito ainda. Muitas mães ainda criam filhas sugerindo sutilmente e pouco a pouco, conforme elas crescem, que o dia feliz só chegará quando houver um marido.
Todos nós temos vontade de ser feliz, pleno, de fazer coisas legais no dia a dia e inclusive de encontrar uma pessoal legal para compartilhar nossa vida. Mas muitas vezes essa busca pelo outro se torna quase doentia, a necessidade urgente de ter logo alguém, “porque sozinha eu tenho muito medo de prosseguir”.
É preciso aprender a ser feliz com a própria companhia. Curtir noites vendo filme e não achar que isso é falta de ter algo melhor para fazer. Aprender a decifrar logo no início quando um relacionamento não tem a ver com o que você queria, sem prosseguir apenas pelo medo de estar sozinha. Só quando aprendermos a estarmos bem com nossa própria presença é que deixaremos a ansiedade longe, é que seremos quem somos de verdade e é exatamente assim que naturalmente conheceremos quem desejamos passar nossos dias (sem saber exatamente por quanto tempo).
Você não precisa de um homem para ser feliz.
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Este texto maravilhoso é da Flavia Gamonar e está disponível no link abaixo.
Fiz questão de colocar aqui, porque concordo em gênero, número e grau. Simplesmente perfeito!

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